Conheça a experiência com a abordagem da Sala de Aula Invertida em Introdução à Programação

O professor Bruno Campagnolo de Paula conta o que é e como utiliza a Sala de Aula Invertida (flipped classroom) com estudantes universitários da PUCPR

Um dos desafios do ensino universitário é consolidar uma transformação de aluno em estudante, o que implica no desenvolvimento de uma autonomia de estudo e uma responsabilidade efetiva em relação ao seu processo de aprendizagem. Neste sentido, a abordagem da Sala de Aula Invertida é quase jogar o aluno na água para ensiná-lo a nadar.

Sala de Aula Invertida

Formado em Engenharia da Computação na PUCPR e professor desde 2003, Bruno Campagnolo de Paula é conhecido na universidade pela vasta experiência com a aplicação da Sala de Aula Invertida nas diferentes disciplinas que ministra nos cursos de graduação. “Enquanto em uma sala de aula tradicional nós trabalhamos com uma aula expositiva e uma carga grande de exercícios para casa, na Sala de Aula Invertida há uma inversão. Eu elimino as aulas expositivas, que se tornam um material para ser consumido em casa, em vídeo, e na sala de aula eu me concentro em desenvolver os exercícios com os alunos”. Resumindo, as atividades que os alunos costumeiramente fariam em casa são desenvolvidas em sala de aula, com apoio dos colegas e orientação do professor. Já a parte expositiva da disciplina é concentrada em vídeos de curta duração, que ficam disponíveis para a consulta dos alunos sempre que for necessário. Em uma única disciplina, podem ser mais de 30 vídeos, a maioria deles entre 5 e 8 minutos.

História

A Sala de Aula Invertida ou Flipped Classroom é uma proposta originada em 2007, a partir da experiência de dois professores de Ensino Médio que gravavam suas aulas para os alunos que faltavam. Não existe um modelo rígido para inverter uma classe, porém, a experiência dos professores que utilizam a abordagem dá importantes dicas de como isto pode ser feito.

Uma entrevista em vídeo com o professor Bruno Campagnolo de Paula explica como é a experiência da Sala de Aula Invertida em cursos de graduação:

Sala de aula invertida - Prof. Bruno Campagnolo de Paula

Especificidades da experiência

A Sala de Aula Invertida pode ser aplicada em diferentes contextos e disciplinas. No caso do professor Bruno, ele já utilizava vídeos em sala, para dar orientações aos alunos, antes de aplicar a abordagem. A técnica em si ele conheceu a partir de um curso de formação à distância com o professor Bergmann, um daqueles professores de Ensino Médio que desenvolveu e continua estudando o tema. “Introdução à Programação exige treino. É muito bom acompanhar o aluno o tempo inteiro, portanto, é uma disciplina que se adapta bem à abordagem”, explica. Outra potencialidade é que alunos com dificuldade de concentração podem sempre recorrer ao vídeo para sanar suas dúvidas, o que evita que o professor responda diversas vezes as mesmas perguntas. O professor Bruno vê ainda como benefício o fato de que o aluno se torna mais autônomo e independente. “Em aula, os alunos estão em movimento, trabalham com seus colegas, pedem orientação ao professor e produzem”.

Cooperação entre alunos

Em suas primeiras vivências com a Sala de Aula Invertida, o professor Bruno identificou que, enquanto alguns alunos desenvolviam seus estudos com muita facilidade, outros começavam a ficar um pouco para trás. “Baseado na experiência de outros docentes, implementei a ideia de que trabalhassem em pares formados por alunos com diferentes níveis de domínio na disciplina, estimulando uma tutoria. Assim, os alunos um pouco mais avançados contribuem com os que estão atrasados na disciplina”, explica.

Resistência dos estudantes

Segundo o professor Bruno Campagnolo de Paula, no início das aulas é comum que os alunos demonstrem certo estranhamento, afinal, as demais disciplinas não têm este formato. “Eu faço algumas dinâmicas para que os alunos possam interagir e participem da disciplina”, explica. Ele evidencia que a postura do professor em sala de aula também é essencial para o sucesso da experiência. Ele não fica apenas sentado atrás de sua mesa. Muda constantemente o local em que senta no laboratório, geralmente o mais próximo possível dos alunos, e vai até eles para realizar orientações e atendimentos. “Isto demonstra ao estudante que não é simplesmente ‘ gravar um vídeo para vocês assistirem’. Ao contrário, há uma dedicação, um investimento em fazer estes vídeos e em estimular o engajamento do aluno nas atividades a serem realizadas em sala”. A abordagem, portanto, intensifica o acompanhamento do processo de aprendizagem do aluno.

Desafios

Um dos desafios enfrentados por professores que utilizam a Sala de Aula Invertida é redefinir seus planos de ensino. A forma tradicional de planejar as aulas não é possível com esta abordagem. Rever atividades, exercícios e reorganizar o conteúdo são ações indispensáveis para quem quer iniciar as suas experiências com esta abordagem. As orientações aos alunos, a determinação de prazo para as atividades e a definição dos conteúdos de cada uma das unidades de trabalho (cronograma) precisam ser bastante específicas.

Para alguns docentes, a elaboração dos vídeos também pode ser uma dificuldade. De acordo com o professor Bruno Campagnolo de Paula, a resposta está na simplicidade. Ele explica que não é necessário uma câmera profissional, um software de edição ou um microfone de última geração. “Vendo os vídeos de outros professores na internet, eu percebi que os melhores resultados eram obtidos quando você não usava nada muito complexo, você gravava apenas a própria tela e sua voz”. Quanto à edição, a ideia é dispensá-la para poupar tempo. “Percebi que muitas pesquisas apontam que vídeos menores têm um resultado melhor com o aluno. Então, ao invés de fazer um vídeo grande que eu tivesse que editar, eu me policiei para que todos os vídeos tivessem de cinco a oito minutos”.

Outra dúvida comum em relação à abordagem é que investir em vídeos curtos não significa reduzir ou simplificar conteúdos. Ao invés de uma aula expositiva de 30 minutos, o professor Bruno indica a produção de cinco vídeos, por exemplo. “Todo vídeo tem uma revisão inicial e, no final, uma contextualização. No começo foi difícil, mas após dividir a aula expositiva em temáticas menores, uma para cada vídeo, senti que era mais simples organizar o material assim”.

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