Os novos modelos curriculares centrados em competências, metodologias ativas e ensino híbrido têm trazido grandes desafios para as universidades. Não somente surge a necessidade de formações voltadas para os docentes, que devem desenvolver novas competências, como também é preciso um esclarecimento para os estudantes, que devem compreender esse novo modelo pedagógico e, principalmente, devem reaprender a aprender.
No dia 1.º de julho de 2026 a live do Portal Observa recebeu o Prof. João Carlos Caetano, da PUC – Minas, que falou da sua experiência na estruturação do Núcleo de Educação Digital (NED) e do Centro de Inovação em Ensino e Aprendizagem (CINEA), onde atua como coordenador.
O CINEA tem como objetivo promover práticas voltadas ao desenvolvimento profissional de docentes do ensino superior, fomentando a inovação e a excelência no ensino e na aprendizagem. Busca também fortalecer a troca de conhecimentos e experiências entre instituições, favorecendo o diálogo sobre práticas pedagógicas inovadoras, formação docente, centros de ensino e aprendizagem e processos de inovação e aprimoramento de projetos pedagógicos.
Confira os principais pontos abordados na entrevista.
Desenvolvimento docente como estratégia institucional
O professor João Carlos destaca que a formação docente não é algo isolado, mas integra uma política institucional, e é fundamental que nessa formação se articule inovação pedagógica, tecnologias educacionais e produção de conteúdos digitais, além da melhoria da experiência acadêmica dos estudantes. Essa formação docente deve, portanto, ser permanente, e integrada às demais políticas acadêmicas da universidade.
Mudança curricular significa mudança na formação dos professores
A PUC Minas reformulou seus projetos pedagógicos para adotar um currículo por competências, metodologias ativas e o ensino híbrido. Essa transformação demandou um amplo processo de desenvolvimento profissional dos docentes, pois a simples alteração burocrática dos projetos pedagógicos não seria suficiente para modificar as práticas de ensino.
Formação colaborativa e contínua
Um aspecto importante a ser considerado é a valorização da participação dos próprios professores. Os docentes não apenas recebem orientações institucionais; eles também fazem parte das discussões, apresentam sugestões, compartilham experiências e contribuem para aperfeiçoar os projetos pedagógicos.
É também fundamental que a formação seja permanente, organizada em pequenas ações sucessivas, de forma a acompanhar o cotidiano do professor e responder às necessidades específicas que vão surgindo no decorrer da implementação das novas propostas. Deste modo, a formação torna-se dialógica e colaborativa, fortalecendo o sentimento de pertencimento e a aceitação das novas propostas.
Circuito CINEA
Em uma das iniciativas do Centro de Inovação, a equipe vai até os diferentes campi para ter contato com a realidade de cada departamento e de cada professor. Isso permite identificar as dificuldades específicas e elaborar estratégias adequadas para cada demanda. O professor João Carlos ressalta a importância de ouvir os docentes, de forma que a formação faça sentido para eles e produza resultados.
Formação por “pílulas”
O Centro estruturou a formação em pequenos eixos temáticos, voltados para funções específicas, como: regentes de unidades curriculares presenciais, responsáveis por unidades curriculares híbridas, produtores de conteúdos digital. Cada formação aborda as competências necessárias para o papel específico, de forma objetiva e aplicável.
Inovação e motivação
Apresentar novas propostas, trabalhar com inovação e centrar as práticas pedagógicas nos estudantes são, segundo o professor João Carlos, maneiras de manter a motivação dos docentes, que entendem a importância de trocar experiências e compreendem que a prática educacional não deve limitar-se à transmissão de conhecimento, mas deve fortalecer o engajamento do discente.
Os professores devem compreender as mudanças que ocorrem no mundo, e saber quais profissionais esse mundo transformado vai exigir. A reflexão que deve sempre surgir é: como esses docentes poderão desenvolver novas competências para apoiar novas jornadas de aprendizagem que sejam significativas para os alunos?
SAIBA MAIS
Desenvolvimento docente como estratégia institucional
CAMPOS, V. T. B.; ALMEIDA, M. I. de. Pedagogia universitária: por uma política institucional de desenvolvimento docente. Cadernos de Pesquisa, 2019.
Mudança curricular significa mudança na formação dos professores
MASETTO, M. T. et al. Formação de professores para currículos inovadores no ensino superior: um estudo num curso de Direito. Revista e-Curriculum, v. 13, n. 1, p. 5-27, 2015.
Formação colaborativa e contínua
CUNHA, R. C. O. B.; PRADO, G. do V. T. Formação centrada na escola, desenvolvimento pessoal e profissional de professores. Revista de Educação PUC-Campinas, [S. l.], n. 28, p. 101–111, 2012.
Inovação e motivação
TORRA, C. H. M.; MARTINS, P. L. O.; VANZO, A. A formação docente no espaço escolar em sua concepção colaborativa de conhecimento. Revista de Educação PUC-Campinas, Campinas, v. 21, n. 1, p. 75-87, jan./abr. 2016.